O Programa Meu Guri fundamenta-se em um conjunto de práticas e teorias inspiradas principalmente nos educadores Paulo Freire e Antonio Carlos Gomes da Costa e a visão sistêmica do trabalho com famílias.

O primeiro educador nos direcionou no sentido de contextualizar as relações e os espaços educativos, outro fator importante trata-se do entendimento da promoção da autonomia do indivíduo a partir da autocrítica e da conscientização política para a emancipação e o exercício da cidadania. Já o segundo autor, indica uma postura presencial dos atores envolvidos no processo pedagógico. Neste sentido, os vínculos promovidos com as crianças e familiares são essenciais para a implantação do processo dialógico.

Ainda na direção das proposições pedagógicas, é importante dizer que as educadoras foram/são agentes importantes e fundamentais nesta construção. Além do potencial intrínseco de cada educadora ser contemplados nas atividades, os temas mensais que organizam as ações sócioeducativas são propostos por elas, assim fomentamos uma retroação entre equipe técnica e educadoras, redimensionando e fortalecendo a equipe.

Na dimensão do atendimento familiar (Projeto Laços) intensificamos a postura interdisciplinar, principalmente aquela onde as metodologias de atendimento são fruto de um diálogo complexo e humanista, desta forma não existe uma determinação engessada de atendimento técnico, mas orientações (axiomas) que norteiam à práxis, a despeito das reuniões, capacitações, congressos que já fazem parte da rotina mensal da instituição.

Além disso, o Projeto Laços também utiliza a visão sistêmica no trabalho com as famílias atendidas. Pensar sistemicamente é substituir a forma disjuntiva de pensar (ou isso ou aquilo), por uma forma integrativa onde as diferenças podem e devem coexistir. Bateson, Paul Watzlawick, Lidz, Bowen foram alguns autores que iniciaram o movimento do trabalho com famílias a partir desta visão.

Nesse sentido, entendemos como sendo primordial o trabalho perpassar por todos os membros familiares, uma vez que se entende a família como um sistema em interação, em que cada um dos seus membros tem responsabilidades e funções a desempenhar.